

Grande parte dos relatórios globais de cibersegurança parte de uma premissa implícita: as ameaças são universais. Na prática, isso está longe de ser verdade.
Embora ferramentas e técnicas se espalhem rapidamente, a forma como elas são usadas varia fortemente por região, influenciada por fatores econômicos, culturais, regulatórios e até linguísticos.
Quer um exemplo? Basta lembrar da série de ataques que foi apelidada de SORVEPOTEL e que envolveu a propagação automatizada de várias famílias de malware brasileiras pelo WhatsApp. Algo que cresceu rapidamente em volume e que se manteve ativo por vários meses mas que, até o momento em que escrevo esse blogpost, se restringiu ao Brasil.
Para times de Cyber Threat Intelligence (CTI) que atuam no Brasil e na América Latina, entender esse contexto regional não é um detalhe, é um requisito para produzir inteligência relevante e acionável.
CTI eficaz não é apenas saber o que está acontecendo no mundo, mas quem está sendo atacado, como e por quê.
Na América Latina, observamos um cenário com características próprias:
Ignorar esses fatores leva a um erro comum: aplicar modelos de ameaça pensados para EUA ou Europa a uma realidade completamente diferente.
Esse é, de longe, o vetor mais prevalente.
No Brasil e em países vizinhos, campanhas de phishing e fraude exploram:
O CTI regional deve monitorar:
A região tem histórico forte de malware financeiro, com famílias adaptadas ao idioma e aos hábitos locais.
Características comuns:
Para CTI, isso exige:
Embora a maioria das quadrilhas de ransomware atuem de forma global, os impactos costumam ser mais severos dependendo da região, sobretudo devido às especificidades econômicas dos países envolvidos.
Observações importantes:
O CTI deve priorizar:
Com a migração acelerada para SaaS, ataques envolvendo:
tornaram-se cada vez mais comuns.
Na região, isso é agravado por:
Aqui, o CTI precisa atuar junto a:
Diferente de regiões mais visadas geopoliticamente, a América Latina é majoritariamente alvo de:
Ataques patrocinados por Estados existem, mas normalmente são ligados a:
Isso muda completamente a priorização de ameaças para o CTI regional.
Um diferencial crítico — muitas vezes ignorado — é o idioma.
Campanhas em português e espanhol nem sempre estão no centro das prioridades das empresas que publicam pesquisas sobre ameaças cibernéticas, de modo que gírias, termos regionais e referências locais podem passar despercebidos e escapar de filtros treinados com conteúdo em inglês
Times de CTI que não monitoram conteúdo regionalizado perdem sinais importantes ainda na fase de preparação do ataque.
Para produzir inteligência realmente útil no Brasil e na América Latina é preciso:
O objetivo não é ignorar o cenário global, mas filtrar o que realmente importa para o contexto regional.
Ameaças não existem no vácuo. Elas se adaptam ao ambiente, à cultura e às oportunidades disponíveis.
No Brasil e na América Latina, o adversário fala a língua local, entende o comportamento da vítima e explora fragilidades específicas da região.
A Resonant possui um time de CTI maduro, nativo nos não só nos idiomas da região, mas proficiente na detecção de sutilezas e maneirismos típicos do nosso continente. Isso ajuda sua organização não somente a monitorar ameaças globais, mas também a entender como elas se manifestam no seu contexto regional.